Coincidência entre output do sistema e o mundo real
O sistema deve "falar" o nível da linguagem dos seus utilizadores
com palavras, frases e conceitos que lhe sejam familiares, em vez de adoptar
termos orientados para a própria linguagem do sistema. Deverá
ainda seguir as convenções do mundo real, fazendo com a informação
surja de uma forma lógica e natural.
Controlo e liberdade do utilizador
Acontece com frequência que os utilizadores escolhem funções
erradamente. Será necessário prever o erro bem como a estratégia
de remediação que, neste caso, se traduz por uma "saída
de emergência" que permite abandonar a função indesejada
sem passar por um longo processo retroactivo. Neste aspecto são paradigmáticas
as funções de "undo" e de "redo".
Consistência e normalização
Os utilizadores não deverão ser sujeitos a um esforço de
descodificação para adivinharem se palavras, acções
ou situações diferentes significam uma e a mesma coisa. Será
importante respeitar as convenções que definem e caracterizam
o suporte sobre o qual se desenvolve uma dada aplicação.
Prevenção do erro
Um design bem estruturado é sempre preferível a um bom conjunto
de mensagens de erro, dado que uma estrutura aperfeiçoada de design é
a primeira a prevenir a ocorrência do erro.
Prevalência do reconhecimento sobre a recordação
É necessário dar visibilidade total a objectos, acções
e opções. O utilizador não deve ser obrigado a recordar
informação ao transitar de uma secção da aplicação
para outra. As instruções para o uso de uma aplicação
devem ser visíveis e imediatamente acessíveis seja qual for o
ponto da aplicação onde o utilizador se encontrar.
Flexibilidade e eficiência de utilização
Tanto a flexibilidade como a eficiência de utilização deverão
ser parametrizadas para dois tipos de utilizadores: os caloiros e os veteranos.
Aconselha-se a utilização de aceleradores (macros, shortcuts,
etc.) que acelerem a eficácia de procedimentos do utilizador veterano
e que poderão ser temporariamente invisíveis para o caloiro. Em
ambas situações deve-se admitir que os dois grupos configurem
a aplicação â medida das suas capacidades.
Informação objectiva e essencial
As janelas de diálogo nunca deverão conter informação
irrelevante, ou raramente necessária. Cada unidade informativa a mais
dentro de uma caixa de diálogo compete com unidades essenciais de informação
e diminui a sua visibilidade de modo relativo.
Potenciação do reconhecimento, diagnóstico e recuperação
de erros pelos utilizadores
As mensagens de erro devem ser expressas em linguagem padrão (sem qualquer
espécie de codificações), devem identificar o problema
com precisão e sugerir uma solução de forma construtiva.
Ajuda e documentação
Muito embora se considere que qualquer aplicação deve poder ser
usada sem documentação escrita complementar, é de considerar
o fornecimento de materiais escritos com ajuda e documentação.
Esta forma de apoio deve ter um enfoque nas tarefas que o utilizador vai desempenhar,
deve ser fácil de pesquisar e não deverá ser demasiado
extensiva.
As regras de Jakob Nielsen devem ser combinadas com outras metodologias, tais
como testes aos utilizadores, escolhidos dentro do público-alvo a que
a aplicação se destina. Assim também se recomenda uma participação
global da equipa de desenvolvimento nas opções de design. Esta
participação assenta sobre as regras do brainstorming criativo
e as linhas mestras das decisões deverão sempre ser pautadas pelas
indicações saídas dos testes feitos por amostragem significativa
junto dos utilizadores.
Muitas casas de edição de software consagraram o hábito
de mandar proceder à divulgação e distribuição
de versões beta de aplicações que ainda não estão
100% isentos de erros. Esperam que sejam os futuros utilizadores a procederem
ao levantamento das falhas existentes na versão beta do programa, através
da sua utilização experimental. Os erros existentes nessas versões
beta, deverão ser assinalados e comunicados às casas de edição
para correcção em versões posteriores, bem como o conjunto
das sugestões que os futuros utilizadores entenderem como interessantes.
Embora à primeira vista tal procedimento possa parecer pouco ético,
a verdade é que a procura da novidade por parte do utilizador leva a
que firmas como a Microsoft e outras de grande prestígio considerem ser
"prova de distinção" feita a clientes especiais, a entrega
de uma versão de um dado programa onde à partida se sabe existirem
deficiências para sobre ele ser feita a experimentação formativa.
É evidente que a distribuição da versão beta de
um programa não irá ser testada da mesma forma por todos os utilizadores
que a ela tiverem acesso. Competirá a quem tem responsabilidades na distribuição
da aplicação estabelecer um painel coerente e suficientemente
alargado de utilizadores capazes de responderem com eficácia às
expectativas da equipa que desenvolveu o programa.
Neste tipo de experimentação as equipas de desenvolvimento definem
um conjunto de objectivos a atingir com o lançamento do teste e procuram
estabelecer um painel que tipifique o público-alvo e os objectos que
é necessário atingir para poder concretizar versões finais
na área do design e da engenharia de software.
Em lugar de controlar de modo rígido o tratamento da informação
e as modificações que de versão para versão vão
sendo feitas - tal como é prática habitual na experimentação
convencional - a experimentação formativa, cria um dado modelo,
entrega-o a uma amostragem do público-alvo a atingir e procura, através
da observação sobre o modo como o programa é utilizado
e das observações recebidas, determinar se os objectivos iniciais
foram ou não concretizados. A eficácia deste processo depende
naturalmente do grau de motivação do público-alvo escolhido
para testar o programa. O teste realizado sobre o Windows 98, foi distribuído
pela Microsoft a nível planetário, numa versão beta. A
habilidosa campanha de marketing e as expectativas por ela geradas motivaram
uma verdadeira corrida dos utilizadores que desejavam ter o privilégio
de testar o novo sistema operativo. Esta experimentação formativa
realizada individualmente e em muitos laboratórios por dezenas de milhares
de utilizadores com configurações informáticas específicas
permitiu uma revisão sistemática de conceitos e procedimentos
aos seus autores. A ergonomia com que o sistema foi apresentado na sua versão
definitiva só foi possível graças à contribuição
de muitos milhares de utilizadores anónimos e de firmas de desenvolvimento
de aplicações, que voluntariamente trabalharam para aumentar a
eficácia do modelo e, de modo indirecto mas exponencial, a fortuna de
quem é hoje considerado o homem mais rico do mundo.
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