3.4 Novas modalidades para o desenho de interfaces
Admitamos a hipótese já enunciada de o desenho da interface ser experimentado num modelo com base num novo tipo de "gramática" com um sistema morfológico especificamente multimediático e que recorre a funções dramatúrgicas específicas da teoria do drama para poder estruturar o seu modelo sintáctico.
Se a interface e a interactividade assentarem o fundamento da sua potencialidade comunicacional sobre um novo modelo adaptado a partir da linguística e da teoria do drama, é possível delinear linhas conducentes à criação de um corpus virtual (como é timbre das estruturas linguísticas) com uma morfologia topografada, a fim que cada significado possua um significante classificado consensualmente, e uma sintaxe estruturada que possibilite determinar com precisão a função que cada elemento da nova morfologia ocupa na "frase" audio-scripto-visual.

Todavia, tanto a estrutura morfológica multimédia, como o conjunto das suas funções sintácticas ultrapassam o modelo linguístico comum aos idiomas, na medida em que a morfologia audio-scripto-visual tem um corpus mais complexo. A integração da audiografia e da eidografia associada ao elemento scripto confere a este signo compósito uma complexidade que a linguística desconhece.
O multimédia gera interfaces comunicacionais cuja representação icónica agrega imagem, som e texto numa unidade mínima de significação. Na linguística, a unidade signo decompõe-se num significante - o som - associado a um significado - a realidade que se deseja representar. O significante multimédia é mais complexo porque eleva à potência três os seus elementos constituintes que podem utilizar em simultâneo som, imagem e texto. Esta unidade de significação mínima necessita de ser classificada num corpus morfológico coerente e consistente em que tanto o elemento scripto, como o audiográfico e o videográfico sejam considerados como elementos constituintes de um todo unívoco - o signo multimediático - e não como uma amálgama aditiva de elementos sobrepostos, o que infelizmente tem acontecido em muitos casos.

A fusão dos três elementos acima mencionados, ao gerar uma nova unidade mínima de significação, não deverá privilegiar um dos elementos preexistentes em detrimento dos outros, sob pena de misturar continente e conteúdo de forma ambígua. Quero com isto dizer que é privilégio de qualquer tipo de massa de informação multimédia conter preferencialmente maior percentagem de conteúdos sonoros, videográficos, ou escritos. Porém, as unidades de significação da sua interface são autónomas do conteúdo (muito embora sejam interactivas com ele) pelo que a representação de sons imagens e textos na interface, usando embora elementos comuns ao conteúdo, irá tratá-los de forma autónoma e diferenciada, dada a função de mediatização que a interface realiza no sistema de relações que se estabelece entre o homem e a aplicação.

Sintaxe da interface
Assim sendo, a sintaxe da interface é susceptível de catalisar um conjunto de funções que vão dar consistência aos elementos constantes da morfologia. As funções da sintaxe multimediática extrapolam os limites da gramática tradicional. Não se confinam a catalogar e a definir funções num corpo homogéneo e coerente que articula os elementos constituintes da "frase". Para lá da sistematização das articulações possíveis, a sintaxe dos sistemas multimédia enuncia as modalidades combinatórias que é possível articular entre as funções dramatúrgicas dos signos da interface. Este fenómeno de dupla articulação de funções exige uma análise mais detalhada.

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